
“O amor é cego” é uma fala que faz parte de nossa Mitologia Social, e nunca fez tanto sentido quando o assunto é casamento.
Certo. Vocês estão apaixonados e logo pensam em se casar. Mas nunca te disseram o que é “estar casado”. Nunca te disseram como formar uma família forte, e manter um relacionamento saudável e funcional. Em contra partida, nossos modelos de “o que é ser e estar casado”, nem sempre são perfeitos, até por que ninguém disse a eles também…
Quando estamos apaixonados, não vemos dificuldades, defeitos, etc. Estamos cegos de amor. Essa “cegueira” pode ser o início do fim de seu relacionamento. Não é por acaso que o número de casais buscando terapia de casal tem aumentado significativamente!
Contamos nos dedos, arrisco dizer de apenas uma mão, os casais que conhecemos que estão casados desde sempre, e na outra mão, e quem sabe nos dedos dos pés também, os casais que estão em seu segundo, terceiro (ou mais) casamento.
O QUE É UM CASAMENTO?
“O Que é um Casamento?” pode ser uma pergunta óbvia, mas não é. Um casamento é como uma sociedade. Pense em uma empresa de dois sócios. Imagine que vocês vão assinar um contrato e adquirir uma franquia.
Como em todo negócio, existem regras, possibilidades de crescimento, e riscos. Nesse contrato de franquia, haverá cláusulas a respeito do funcionamento da empresa, direitos e deveres dos sócios e colaboradores, condições de trabalho, regras para contratação e demissão, férias, etc.
Antes de assinar, certamente os futuros sócios, vocês, irão e deverão ler minunciosamente casa linha desse contrato. Só então, ciente das regras, riscos e possibilidades de crescimento, a assinatura é formalizada.
No casamento é igual. Existe um contrato a ser assinado, mas não tão completo e minucioso como deveria sem. As armadilhas estão nas cláusulas que não são adicionadas, ou redigidas de forma rasa e incompleta. Sem falar que muitos casais não o leem por estarem apaixonados e “cegos de amor”.
Com a ideia de serem “empresários” e pensarem só na “parte boa do negócio”, assinam um contrato sem conhecer os possíveis riscos reais do novo empreendimento. O desconhecimento das cláusulas não redigidas ou incompletas acabam por trazer consequências graves para essa sociedade. O caminho para o conflito com consequente divórcio é iminente.
MOTIVOS PARA O DIVÓRCIO
Os problemas que levam ao divórcio já estão presentes desde a fase do namoro. A “cegueira de amor” impede que ambos possam ver (ou minimizam) os defeitos um do outro, e as dificuldades futuras no relacionamento. É nessa fase que o percentual do Amor Erótico se aproxima dos 80%, e do Amor Fraterno gira em torno dos 20%.
Com o tempo, o percentual do Amor Erótico cai, e de Amor Fraterno aumenta, tornando a relação mais “calma”, fazendo com que a “cegueira de amor” diminua. Com essa diminuição, os problemas que não eram vistos (ou eram ignorados) ficam mais em evidência, ganham força e provocam “efeitos colaterais”.
Dentre os principais “efeitos colaterais” temos:
1. DIFICULDADE FINANCEIRA
Como diz um tio meu: “faltou dinheiro, acabou o amor”. Parece meio frio e cruel, mas dificuldade financeira é uma das principais causas de divórcio. Aspectos emocionais e econômicos estão profundamente conectados.
A falta do dinheiro provoca uma sensação de insegurança, causando grande estresse no relacionamento, e pode acabar por frustrar os sonhos e as expectativas de um planejamento futuro. O casal pode se sentir frustrado quanto à continuidade da relação, especialmente se não conversarem sobre isso de forma madura e sincera.
Casais financeiramente estáveis são mais felizes. Não se preocupar com dinheiro causa menos frustrações e isso aumenta a satisfação e o bom humor.
2. PROBLEMA NA COMUNICAÇÃO
Dificuldade Financeira está entre as principais causas de divórcio. Mas o Problema na Comunicação ganha de todas. Quando a comunicação falha, surgem mal-entendidos e resolver conflitos se torna quase impossível. Sem um diálogo aberto, claro e sincero, as frustrações vão se acumulando e o distanciamento emocional só cresce.
Quer melhorar a qualidade de seus relacionamentos? Melhore a qualidade de sua comunicação. Busque construir uma comunicação eficaz e assertiva.
Princípios essenciais para uma comunicação eficaz:
- Escutar o outro;
- Deve ser tanto verbal quanto não-verbal;
- Controlar as emoções;
- Apresentar ideias de forma clara e objetiva, sem perder a educação e a gentileza.
Comunicação Assertiva:
- Focada na clareza e na redução de conflitos;
- Entender a necessidade do outro;
- Pressupor menos e perguntar mais, de forma respeitosa;
- Livre de julgamentos.
3. AUSÊNCIA DE INTIMIDADE
Sem comunicação, não tem intimidade. A intimidade cria conexão entre o casal, possibilitando e facilitando a comunicação e favorecendo a resolução de problemas de forma saudável e empática. Entende-se por intimidade, o compartilhar de sentimentos e vulnerabilidades, de Amor Fraterno e principalmente de Amor Erótico.
Ter uma vida sexual saudável e ativa é fundamental para promover da conexão emocional entre os parceiros. Quando o desejo esfria e a expressão do amor erótico diminui, a relação perde vitalidade.
4. VÍCIOS E COMPORTAMENTOS DESTRUTIVOS
Quando um dos parceiros tem comportamentos destrutivos, como vícios em drogas (licitas ou ilícitas) em jogos de azar ou pornografia, provoca na relação grande instabilidade afetando diretamente a confiança. Com o tempo, o convívio se torna cada vez mais difícil, dificultando e enfraquecendo relação.
5. TRAIÇÃO
Como já seria de se imaginar, uma traição é algo que realmente pode acabar com um casamento. A quebra da confiança entre as duas pessoas pode ser bem difícil de se recuperar.
Traição não é necessariamente ausência de amor. A pessoa trai por seis motivos básicos:
- Falha de caráter, que é construído ao longo da vida, sendo moldado por uma combinação de hábitos, educação, experiências pessoais, ambiente social e cultura;
- Carência e envolvimento afetivo e/ou sexual com outra pessoa;
- Transtorno mental, tais como Ansiedade, Borderline ou comportamentos compulsivos;
- Ego: necessidade de afirmação, reviver o passado, dar o troco, etc.;
- Desgaste na relação (tem relação com caráter, carência e ego).
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